
Nos doramas, as cenas em hospitais muitas vezes viram comédia por causa das enfermeiras. Elas andam pelos corredores falando alto sobre os pacientes, comentando casos, fofocando sobre médicos e até sobre quem está internado por amor ou por drama familiar. O engraçado é que elas acham que estão falando em segredo, mas o som vaza pelas portas entreabertas e cortinas finas, e os pacientes escutam tudo de dentro dos quartos. Assim, em vez de descanso, muita gente acaba ouvindo revelações, segredos e comentários indiscretos, como se estivesse assistindo a um episódio extra do dorama, só que sendo o próprio personagem da história.

Nos doramas, é bem irritante quando a vilã vive fingindo que foi sequestrada junto com a mocinha só para chamar a atenção do galã. Toda vez é a mesma novela: ela arma o teatro, se faz de vítima e coloca a protagonista no meio da confusão, só para parecer que as duas correm o mesmo perigo. O galã cai no drama, corre para “salvar” as duas, e no fim acaba protegendo mais a vilã atriz de novela barata do que a mocinha de verdade. Depois de tantas repetições, o sequestro deixa de ser emocionante e vira só mais uma estratégia cansativa da vilã para roubar a cena e o herói.


Nos doramas, quando colocam afrodisíaco na bebida, é como se o roteirista tivesse apertado o botão “caos com censura”. O personagem toma um gole inocente de chá ou vinho e, de repente, começa a passar mal… mas não é dor de cabeça, é “efeito colateral romântico”. A solução milagrosa? Sempre algum médico, xamã ou amigo intrometido solta a pérola: “só melhora se… consumar o amor”. Aí vira aquela correria: todo mundo vermelho, tropeçando nas próprias desculpas, tentando “esfriar” a situação com balde de água fria, ventinho na janela ou frases do tipo “pense em matemática!”. No fim, ninguém mostra nada, tudo fica só na tensão cômica, mas o público sabe muito bem que o remédio que o dorama está sugerindo não vende em farmácia.
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